domingo, 1 de fevereiro de 2009

RELEVÊNCIA BIOMECÂNICA DOS MÚSCULOS MULTIFÍDOS: ESTABILIZAÇÃO

MUSCULOS MULTÍFIDOS
Os músculos posteriores profundos, onde se inclui o multífidos, intertransversais, interespinhais e rotadores, seguem bilateralmente para cima e para baixo na coluna vertebral e criam extensão quando ativados ambos os lados e rotação ou flexão lateral (não é realizada pelo multífidos) quando ativado unilateralmente (HAMILL e Knutzen, 1999).
Esses músculos profundos contribuem com a geração de suporte para a coluna vertebral, manutenção da rigidez e produção dos movimentos mais finos no segmento móvel ( BARTELINK, 1957 apud HAMILL e Knutzen, 1999 ).
Os músculos multífidos são mais espessos nas regiões cervical e lombar, gerando uma força extensora do tronco (HAMILL e Knutzen, 1999).
Suas origens de forma ascendente começam a partir do dorso do sacro e da fáscia que cobre o eretor da espinha, apartir dos processos mamilares nas vértebras lombares e nos processos transversos e articulares nas vértebras torácicas e cervicais, respectivamente. Nessa extensa origem,as fibras musculares são dispostas em três camadas à medida que ascende medialmente fixando-se na espinha de todas as vértebras, de L5 ao áxis. A camada mais profunda se insere na vértebra imediatamente acima, a camada média na segunda ou terceira vértebra acima e a camada externa na terceira ou quarta vértebra acima (PALATANGA et al, 2000).
Suas ações já foram citadas acima, porem o seu relevante papel é o de promover a estabilização vertebral (Palatanga et al , 2000) atuando como ligamentos extensíveis, ajustando seu comprimento para estabilizar as vértebras adjacentes independentemente da posição da coluna vertebral.
Os multífidos possuem fibras mistas onde 57 à 62% é de fibras do Tipo I, e também proporções de fibras do Tipo IIa e Tipo IIb, dando uma versatilidade funcional, gerando assim movimentos rápidos e forçados e, ao mesmo tempo sendo resistente à fadiga para manutenção da postura por longos períodos (CYRON, 1978 apud HAMILL e Knutzen, 1999). Além de promover a extensão do tronco, esse músculo proporciona estabilidade posterior para coluna vertebral, contrapondo a gravidade na manutenção da posição ortostática, tendo também importância na flexão de tronco ( DEMPSTER, 1993 apud HAMILL e Knutzen, 1999).
Com maiores detalhes anatomofuncionais, Bonjadsen et al (1999) relatou que com relação a sua posição na coluna lombar, os músculos multífidos são uma massa superficial e espessa que se situa abaixo da aponeurose de origem do músculo eretor da espinha. No que diz respeito à trajetória dos feixes musculares observou-se que há feixes verticalizados inseridos nos processos espinhosos de L5, T12 e T11. Entre a porção medial do sacro e o processo espinhos de L5 então localizados os feixes mais distais dos músculos multifidos,apresentando este na sua maioria uma trajetória vertical que cobrem a transição lombossacra. Uma maior obliqüidade é apresentada nos feixes que se inserem acima de L5, uma vez que se inserem nos pontos anatômicos mais laterais dos processos espinhosos, como na região lateral da crista ilíaca e os processos mamilares. Os feixes vão se tornando oblíquos progressivamente à medida que eles se tornam mais proximais. Feixes verticais recobrem a transição toraco-lombar, sendo esta uma exceção. Estas fibras são superficiais e surgem da porção medial da aponeurose de origem do músculo eretor da espinha na altura de L2 e prolongando-se aos processos espinhosos de T12 e T11 (Bonjadsen et al,1999).
Bonjadsen et al (1999) observou que a massa muscular dos músculos multifidos (figura 6) na coluna lombar são espessas e formadas por inúmeras camadas de feixes musculares que se sobrepõem e originárias de diferentes pontos anatômicos. Os feixes mais distais, no sacro e na coluna lombar, são recobertos pelos mais proximais, dando origem a essa massa espessa. Esta por sua vez insere-se em cada um dos processos espinhosos lombares através de tendões igualmente espessos e facilmente individualizados. Em uma primeira análise,os músculos multífidos parecem ser um único músculo. As inserções nos processos espinhosos só vistas após a dissecção. Seus feixes decrescem progressivamente nos segmentos superiores da coluna vertebral.
Richardson et al (1999) observou que o controle das forças de cisalhamento que ocorrem na coluna durante a flexão anterior do tronco não dependem somente dos elementos passivos, mas também do sistema muscular. O controle dessa força de cisalhamento é de extrema importância, pois protege a junção intervertebral, especial nos níveis mais baixos onde estas forças são maiores.
O multífido é envolvido nesse controle do cisalhamento vertebral devido sua ação de rotação sagital, que uma vez ativado bilateralmente promove um movimento de translação posterior vertebral estabilizando assim o movimento (RICHARDSON et al, 1999).
Além da ação estabilizadora, Richardson et al (1999) observou diferentes funções primárias para cada fascículo do músculo multífido. Os fascículos mais longos, que originam-se no processo espinhoso , têm uma vantagem mecânica sobre as fibras mais curtas, mais profundas. Os fascículos mais longos contribuem mais para o torque extensor, quando as fibras mais profundas mais curtas, que têm pouca força de alavanca para a produção do torque, podem ser mais envolvidas em um papel de estabilizador. Este fato foi comprovado através de estudos eletromiográficos onde se verificou que durante o ortostatismo, movimentos ativos do tronco, o andar e a extensão de troco houve uma ativação tônica das fibras mais profundas num nível quase contínuo.
O multífido em atividade é responsável por dois terços da rigidez segmentar, sendo assim responsável pela diminuição significativa na escala de movimento de todos os movimentos, exceto a rotação (RICHARDSON et al, 1999).
McGill (1991 apud RICHARDSON et al, 1999) confirmou o papel dos multifidos lombares em um estudo tridimensional da mecânica espinhal lombar, onde concluiu que a geometria inalterável dos multifidos através de uma escala de posturas indicando que a finalidade deste músculo é ajustar finamente a vértebra com movimentos pequenos.
3.2 – Os músculos multifidos e a lombalgia
Hides et al (1996) demonstrou que os músculos multifidos apresentam-se, na maioria das vezes atrofiados o primeiro episódio agudo de lombalgia por esforço.
Um resultado funcional pobre era secundário à perda da sustentação funcional do músculo, o que perturba a mobilidade segmentar, e aumenta a tensão mecânica e a incapacidade (HIDES et al, 1996).
Foi demonstrado por Hides et al (1996) que a disfunção segmentar localizada no músculo multífido pode ocorrer após um primeiro episódio agudo ou subagudo. Também, uma atrofia unilateral foi demonstrado ipsilateral à posição da dor com ultra-som de imagem .
Essa atrofia localizada no multifido tem sido demonstrada com o uso do ultra-som de imagem em tempo real e confirmado pela ressonância magnética. Na presença da lombalgia crônica há maior atividade das fibras fásicas do músculo, ou seja, as fibra mais superficiais. Em pacientes com dor lombar aguda há uma inabilidade na ativação do multifido. Essa situação leva a um controle motor inadequado dos músculos multifidos o que promove a instabilidade segmentar vertebral (RICHARDSON et al, 1999).
A recuperação do músculo multífidos não ocorre espontaneamente após a remissão dos sintomas dolorosos e sim com um programa de reabilitação adequado desse músculo. Os mecanismos possíveis para a diminuição da secção transversa do músculo é a inibição reflexa, deixando assim o controle motor desse músculo deficiente. (HIDES et al, 1996 e RICHARDSON et al, 1999)

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